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Fragilizar projetos como o Guri é sentenciar milhares de jovens ao abandono social

Postado em Artigos em 06/04/2019

(Foto: Daniella Sousa)

Por Anellise Godoy *

O Guri cresceu, amadureceu e construiu sua própria história e não poderia ser tratado como criança. Nasceu em 1995 e em tão pouco tempo já foi reconhecido e eleito a melhor ONG do país em 2018. Cada um dos seus 64 mil alunos de hoje já descobriu que a vida pode ter novas perspectivas através da música e da arte, assim como os 770 mil jovens que os antecederam ao longo dos anos.

Este Guri trocou armas, envolvimento com o crime, drogas, ausência de perspectivas de jovens de baixa renda, em áreas de risco espalhadas por todo o Estado, por paus e cordas, sopros e ritmos, conhecimento sobre a música, sobre os infinitos e diversos sons produzidos pela humanidade desde sempre e sobre si mesmos como artistas, em suas 340 casas.

Ousar reduzir, desmembrar ou fragilizar um empreendimento como este é o mesmo que sentenciar centenas de milhares de jovens ao abandono social e de suas possibilidades criativas. O Guri deveria ser celebrado como um dos mais sérios e prospectivos celeiros de novos talentos do país, nada menos do que isto, mesmo diante do recuo e de novas promessas do governo.

(Annelise Godoy)

Boas iniciativas devem ser corrigidas, ajustadas, reorganizadas se necessário. Mas a força de transformação que ela traz jamais pode ser vista como um número financeiro ou um gasto público, mas sim, certamente  neste caso, como o maior investimento humano que este Estado já fez, em todos os sentidos.

O Guri é repleto de guris. Bons guris. O Guri transborda perspectivas nos sons que produz. O Guri é um sopro de ar cheio de esperança que nós, a sociedade, devemos a estes guris e a todos os maravilhosos músicos e profissionais envolvidos neste projeto. Por não ser mais criança, deve erguer-se e mostrar sua grandeza e sua trajetória e seguir em frente.

Todos nós estaremos aqui para apoiá-lo e garantir sua existência e resistência.

Tamo junto, Guri. De olhos bem abertos.

* Annelise Godoy é produtora executiva da Phila Brasil

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