Coluna Alessandro Soares

Acervo faz balanço do primeiro mês

O Acervo Digital do Violão Brasileiro comemora o primeiro mês de atividades com uma série de histórias para contar. De 8 de setembro até semana passada, criamos 30 destaques, entre partituras, verbetes e lançamentos de discos e livros sobre violão, divididos em blocos de três chamadas, publicadas sempre em dias de segunda e quinta-feira. Além disso, postamos cotidianamente inúmeros arquivos em 11 seções do portal (biblioteca, partituras, discografia, dicionário, rádio turunas, documentos sonoros, blog, agenda, imagens, linha do tempo e vídeos).  

Dos destaques que mais atraíram os internautas estão os CDs inéditos que lançamos em formato digital, mesmo antes de chegarem às lojas ou de serem prensados da fábrica, com faixas inteiras liberadas para audição, capa e ficha técnica. Foi assim com Matrizes, disco de estreia de Jean Charnaux, que compõe como se tivesse 50 anos de idade, apesar de ter apenas 26. Intérprete muito expressivo e versátil, o violonista carioca possui apurada técnica clássica, molejo de roda de choro e improvisos jazzisticos muito bem articulados.   

Choro de Fole, CD do catarinense Ricardo Pauletti, também foi lançado na nossa vitrola digital. Composto de ótimas 10 faixas, quase todas autorais, o trabalho é bem contemporânea, mas a partir da tradição do choro e da música de gafieira. Os arranjos valorizam a interação da banda e a alegria descontraída de instrumentos de sopros (o trombone de Sérgio Coelho, o clarinete de Alexandre Ribeiro, além de flauta e sax) e a  sanfona de Rafael Petry. Tudo isso com a esmerada produção de Alessandro Penezzi, que também toca em Valsa de Fole.

O terceiro disco lançado pelo Acervo em setembro é o vigoroso Luando, do piauiense Josué Costa, que assina as 10 faixas, todas em violão solo, mas caminhando na direção do baião e do choro nordestino. Os temas espelham tanto o lado virtuose do Josué, a exemplo de Feito em Casa, quanto o lirismo e a leveza, como na faixa título. Com isso, garantimos que a seção Discografia ofereça uma mostra do que de mais novo tem sido produzida atualmente sobre violão.    

Partituras

No banco de parturas, produzimos em setembro 12 peças inéditas e de arranjos especialmente criados para o portal, incluindo a quadrilha Arnolina, do desconhecido compositor Moreira de Assis, representante da primeira geração de chorões cariocas. A música havia sido gravada na coleção de CDs Choro Carioca: Música do Brasil (Acari Record), produzido por Maurício Carrilho e Luciana Rabello. Mas faltava publicar o arranjo da peça, para quarteto de violões elaborado por Paulo Aragão.

Assim o Acervo Digital do Violão Brasileiro faz história no campo de edição de partituras ao ser a responsável pela primeira peça para quatro violões publicada no Brasil. Além de Arnolina, também foi publicado outro arranjo de Paulo Aragão para quarteto: Ouro Sobre Azul, de Ernesto Nazareth, gravada pelo Maogani no disco Impressão de Choro, em 2010, que está disponível para audição na discografia do portal.

Mas o maior número de partituras do Acervo é para violão solo e de autores pioneiros, cujas peças ainda não tinham sido publicadas. O violonista Luís Carlos Barbieri pesquisou e editou Valsa Para Violão e Dores D`Alma, ambas de Quincas Laranjeiras (1873-1935). Curioso observar que, segundo Barbieri,  há um pequeno trecho desta última música que se assemelha a uma passagem do Estudo 11, de Villa-Lobos, o que sugere uma influência de Quincas sobre Villa.

O violonista e pesquisador Gilson Antunes transcreveu três peças de Américo Jacomino (1889-1928) inéditas em partitura: Caprichoso, Olhos Feiticeiros e Niterói. Essas músicas também podem ser ouvidas na íntegra na discografia do portal pelo disco Gilson Antunes: Obras Para Violão de Américo Jacomino. Já Caio Cezar arranjou Conversa de Botequim (Noel Rosa) e Henrique Annes também está presente com suas Caribeanas 1 e 2.

Verbetes

O dicionário, que é o primeiro do país especializado em violão, já conta com cerca de 20 nomes, incluindo violonistas e compositores que pela primeira vez são alvo de verbete, a exemplo de pioneiros como Ernani de Figueiredo ( ___ - 1917) e Brant Horta (1877-1959).

Brant Horta e Ernani de Figueiredo

Sempre que possível, produzimos textos longos e bastante informativos, junto com discografia e musicografia, imagens e eventualmente áudios. O dicionário também corrige uma série de erros difundidos em verbetes de outros dicionários de música, como Antonio Rago (1916-2008) e Satyro Bilhar (1862-1926), cuja data de nascimento foi finalmente revelada.

Também fizemos homenagens especiais a grandes nomes do violão com datas de aniversário em entre setembro e início de outubro, começando por Henrique Pinto (1941-2010), passando por Dilermando Reis (1916-1977), Isaías Sávio (1900-1977) e Paulinho Nogueira (1929 – 2003).

Teses

Na Biblioteca, até o momento publicamos 16 dissertações e teses acadêmicas sobre violão. A variedade de estilo e autores é impressionante: Os discos de Julian Bream analisados por Sidney Molina, os Estudos de Radamés Gnattali, por Ricieri Carlini Zorza, a obra para violão de Guerra-Peixe, de Cláudio José Corradi Júnior, e a linguagem musical de Guinga, por Nelson Fernando Caiado, são alguns exemplos. O violão 7 cordas está presente no trabalho de Fabiano Borges sobre Raphael Rabello e o de Remo Tarazona Pellegrini sobre Dino.

  

Algumas dissertações analisam processos de escrita, digitação e interpretação de peças específicas, como a Ciaconna BWV 1004 (Bach), por Alisson Alípio, Reminiscências Op. 78 (Marlos Nobre), por João Raone Tavares, e Tarantos (Leo Brouwer), por Márcio Pacheco De Carvalho. Além disso, na biblioteca fizemos o lançamento do livro O Violão e As Linguagens Violonísticas do Choro, de Carlos Walter. E tudo para download gratuito.

Documentos sonoros

Registramos ainda o sucesso da Rádio Turunas, que iniciou suas atividades com mais de 1 mil músicas em três estações de playlist. E na seção Documentos Sonoros postamos áudios raros, como a provável última entrevista que Dilermando Reis deu poucos meses antes de morrer, pertencente ao acervo de Luiz Henrique Alves e do Fórum Violão.org.

Também disponilizamos raríssimos trechos de programas de rádio dedicados ao violão, produzidos no Recife entre o final da década de 1950 e começo de 1960. Um deles é o Clube das Cordas, transmitido pela Rádio Clube de Pernambuco. O outro chamava-se Quando os Violões se Encontram, da Rádio Jornal do Commercio. Os áudios desses programas pertencem ao acervo particular do produtor musical e diretor do Acervo, Alessandro Soares.

Mas a página de documentos sonoros inclui algumas músicas em ótima qualidade, como nas peças Polonesa (de J Mertz) e Don Perez Freire (de Agustin Barrios), interpretadas por Edson Lopes. Estas músicas integram uma série de 15 gravações caseiras do violonista paulista que em breve estarão disponíveis para audição na Discografia.  

Por último, iniciamos a galeria de vídeos com oito vídeos do Festival Acordes do Rádio: 90 Anos do Violão Brasileiro, do produtor Alessandro Soares, com elenco formado por Marco Pereira, Paulo Bellinati, Weber Lopes, Eustaquio Grilo, Lula Galvão, Guinga e as cantoras Mônica Salmaso e Vânia Bastos. Os filmes fazem parte de uma série de três programas exibidos pela TV Senado em maio de 2011 e foi gravado no Teatro do CCBB em Brasília. Mas tem muita novidade prevista para agora para outubro. Aguardem. 

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