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Vinícius Sarmento dá sequência à série de vídeos sobre violão no Recife

Por Rosualdo Rodrigues

Vinícius Sarmento foi um garoto prodígio do violão. “Foi” porque hoje, aos 26 anos, já se tornou um dos grandes profissionais do instrumento no Brasil. Tinha 8 quando começou a tirar os primeiros acordes e aos 10 já se apresentava profissionalmente. Um pouco dessa história ele conta no segundo vídeo da série do Acervo Digital do Violão Brasileiro sobre violonistas de Pernambuco, que será lançado em 26 de novembro. 

O projeto foi dirigido e filmado no Estúdio Muzak, no Recife, por Rodrigo Barros, com edição de Woody Willen, sob patrocínio do Estúdio Muzak e da NIG Music, com apoio da Cabra Quente Filmes. A série estreou no dia 5 de novembro de 2018, com Nenéu Liberalquino. Além deles, também participam do elenco o Duo Rubem França e Renan Melo e o violonista e bandolinista Marco Cesar, com o cavaquinista João Paulo Albertim e Pepê, no violão 7 cordas.

Após o breve papo, o vídeo mostra vinícius interpretando  Valseana, de Sergio Assad, músico que o fez se aproximar mais do universo erudito. “Conhecia o trabalho do Sérgio como intérprete – obviamente eu ouvia o Duo Assad –, mas o de compositor para violão solo, não. E foi um espanto quando conheci”, lembra Vinicius. 

Sarmento revela nunca ter sido a praia dele pesquisar ou tocar música erudita para violão. “Tirando algumas coisas que me agradam, me interessam e que combinam com meu jeito de tocar, a maior parte do repertório clássico eu achava que não era pra mim, pois havia quem fizesse melhor. Mas quando eu me deparei com a obra de Sérgio, foi diferente”, completa.

Família musical

Antes de Sérgio Assad, porém, Vinícius Sarmento teve muitas outras referências, começando dentro de casa. “Tive a sorte de nascer numa família cheia de músicos, poetas, compositores... desde minha avó materna até a família de meu pai (Nuca Sarmento), que é um grande violonista, meu tio (Bozó 7 Cordas)...”

Vinicius, no entanto, conta que o primeiro contato com o violão veio por intermédio de colegas da escola e da revistinha de cifra, não exatamente com o pai. “Comecei devagarzinho e logo notei que gostava daquilo. E aí pedi auxílio ao meu pai para entender melhor a forma certa de tocar, passei a ter aulas não formais com ele e fui desenvolvendo”.

Pouco depois, o jovem violonista começou a receber orientações também de Bozó. Durante cerca de um ano, tinha aulas regulares com o tio, numa salinha do Conservatório Pernambucano de Música, onde é professor.  “Foi muito importante aquele ano. Aprendi técnicas, posturas de mão, tive o primeiro contato com leitura musical...”

Foi ali também que optou pelo violão de sete cordas. Sem ter interesse em ser aluno oficial no Conservatório, o garoto tomava aulas num horário de folga de Bozó. Nunca recorreu, portanto, ao ensino de música formal. “À parte esse ano, meu aprendizado foi muito com meu pai e meus amigos, coisa natural do processo, pessoas que você vai encontrando e aprendendo um pouco com cada um”.

Mestre padrinho

Sarmento não teve oportunidade de aprender pessoalmente com o padrinho de batismo, Raphael Rabello. Mas não há dúvida que a figura do músico o inspirou. “Desde cedo, o nome e a figura dele estiveram presentes em minha casa, por meio de discos e de conversas. Meu pai era muito amigo de Raphael e sempre que ele vinha a Recife meu pai o chamava para tocarem juntos”.

Numa dessas, quando Rabello se apresentava na capital pernambucana ao lado de Ney Matogrosso no show À Flor da Pele, no final de 1991, a mãe de Vinícius estava grávida e foi feito o convite para que o violonista fosse padrinho do garoto que nasceria no começo do ano seguinte. O batizado foi realizado dois anos depois, em mais uma passagem de Raphael Rabello por Recife.

Vinicius tinha apenas 3 anos quando o padrinho morreu, em maio de 1995. “Não tenho memórias sobre Raphael. Até demorei muito pra ver uma imagem dele, algo raro naquele período pré-internet. A primeira vez foi no documentário Meu Tempo É Hoje, sobre Paulinho da Viola. Mas mantenho com Raphael uma relação de idolatria desde sempre, tanto pela amizade com meu pai quanto pela importância musical, os discos e tudo mais”.

Compositor ocasional

Vinicius Sarmento faz questão de se identificar como intérprete. “Não me sinto compositor de fato, mas um intérprete que vez por outra compõe. Meu processo de criar é bem natural, tanto é que componho muito pouco, uma música por ano e olhe lá”.

Para o violonista, um compositor de fato vai atrás das músicas e compõe quando quer. “Não costumo procurar música. Espero que venha uma ideia naturalmente e dali começo a desenvolver, sem muito mistério. Já arranjo é uma coisa mais pensada, você vai atrás, ouve coisas, procura ver o que encaixa melhor no violão, o que é ‘arranjável’. É mais um processo de garimpo”.

Varandinha

E no garimpo de Vinicius Sarmento ficam, principalmente, peças populares brasileiras, do samba, choro e gêneros tradicionais do Nordeste. O gosto por músicas da antiga lhe rendeu, inclusive, um apelido: Varandinha. “É que tem essa coisa da ‘varandagem’, que meu pai espalhou por Recife, uma referência aos tempos antigos, aquela coisa da varanda, da seresta e tal. E por eu tocar desde muito novo músicas mais antigas, veio esse apelido”.

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